Taiwan: visita de Nancy Pelosi à ilha é 'brincar com fogo', diz China aos EUA
Nesta quarta-feira (3/8), a presidente da Câmara dos Estados Unidos se encontrou a presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen. Desde que avião com a americana pousou na ilha, Pequim tem reagido com contundência.
A visita da presidente da Câmara dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, a Taiwan está apenas no segundo dia, mas já acumula reações contundentes por parte da China. Americanos, por outro lado, minimizam o impacto da viagem.
Em um comunicado nesta terça-feira (2/8), o Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que a visita é como "brincar com fogo" e "aqueles que brincam com fogo perecerão por ele".
Na terça-feira, o governo da China convocou o embaixador dos EUA, Nicholas Burns, e fez um "forte protesto" contra a visita de Pelosi, segundo a agência de notícias chinesa Xinhua.
Ainda de acordo com a agência, o vice-ministro Xie Feng afirmou no encontro que os EUA "pagarão o preço por seus próprios erros", que as consequências "serão extremamente sérias" e que Washington deveria "tomar medidas práticas para desfazer os efeitos adversos causados pela visita de Pelosi a Taiwan".
Além das declarações, Pequim anunciou a suspensão de importações vindas de Taiwan, abrangendo produtos como biscoitos, doces, peixes e frutas cítricas.
Taiwan tem uma profunda relação econômica com a China, que recebe cerca de 30% de suas exportações e é seu principal parceiro comercial. Para a China, Taiwan é uma província separatista que um dia voltará ao seu controle. Taiwan, por outro lado, se define como um país independente da China — com sua própria Constituição e líderes eleitos por meio do voto popular.
Menos de uma hora após o avião de Pelosi pousar, o Exército de Libertação Popular da China anunciou que enviaria aeronaves e navios para realizar nos próximos dias exercícios militares nas proximidades de Taiwan. O ministro da Defesa de Taiwan afirmou que os exercícios são uma tentativa de intimidar psicologicamente a população.
Encontro de Pelosi com presidente de Taiwan
Enquanto isso, Pelosi se encontrou nesta quarta-feira (3/8) com a presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, além de empresários e representantes da sociedade civil.
A presidente da Câmara dos EUA afirmou que desejava honrar a posição dos EUA de "inabalável compromisso com o apoio à vibrante democracia de Taiwan". Ela é a política de escalão mais alto dos EUA a visitar Taiwan nos últimos 25 anos.
O porta-voz de segurança nacional dos EUA, John Kirby, assegurou por sua vez que "não há razão para esta visita se tornar um evento disparador de uma crise ou conflito".
Embora a visita de Pelosi tenha sido objeto de grande especulação no mundo todo por dias, ela foi envolta em segredo até o último minuto. Quando ela partiu para uma viagem à Ásia no domingo (31/7), seu itinerário oficial não trazia o nome de Taiwan — e sim Cingapura, Malásia, Coréia do Sul e Japão.A Casa Branca se opôs abertamente a uma viagem do tipo — segundo declarou o presidente Joe Biden, militares avaliaram que a ida não seria uma "boa ideia". Mas, depois que Pelosi desembarcou em Taiwan, Kirby, representando a Casa Branca, disse à CNN que a visita dela era semelhante a viagens anteriores de outras autoridades.Dirigindo-se à forte reação da China, Kirby afirmou que "os Estados Unidos não serão intimidados por ameaças".
Democracia em Taiwan está 'sob ameaça', escreveu Pelosi
A China exerce forte pressão sobre outras nações para que seu princípio de "Uma China" — ou seja, de que existe apenas uma nação chinesa, com sede em Pequim — seja aceito. Apenas 15 países têm relações diplomáticas formais com Taiwan.A política de longa data dos EUA tem sido reconhecer a unidade do governo da China, mas também manter robustas relações "não oficiais" com Taiwan, incluindo a venda de armamento.
Como presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Pelosi é a segunda na linha de sucessão para a presidência dos EUA, depois do vice-presidente. No entanto, ela também é uma antiga crítica de Pequim.
Em um comunicado recente, Pelosi afirmou: "A solidariedade da América com os 23 milhões de habitantes de Taiwan é mais importante hoje do que nunca, pois o mundo enfrenta uma escolha entre a autocracia e a democracia".
Em um artigo publicado no jornal Washington Post, Pelosi escreveu que "a robusta democracia de Taiwan" está "sob ameaça"."Diante da acelerada hostilidade do Partido Comunista Chinês (PCC), a visita de nossa delegação do Congresso deve ser vista como uma declaração inequívoca de que os Estados Unidos estão com Taiwan, nosso parceiro democrático, enquanto defende a si mesmo e sua liberdade", afirmou a americana.
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