Jornalista erra ao chamar mais atenção do que a notícia Guga Chacra, da GloboNews, tem gerado manchetes recorrentes pela aparência Radicado há 15 anos em Nova York, onde se tornou mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, Guga Chacra é um dos mais experientes jornalistas de política da televisão brasileira. Frequentemente dá aula de conhecimento a seus colegas de GloboNews e ao público. Mas, nos últimos tempos, a repercussão maior tem sido a respeito de seu visual. Os cabelos desalinhados do correspondente viraram notícia algumas vezes. Na semana passada, o bronzeado alaranjado com marca em torno dos olhos foi destaque na mídia. Após o ‘Em Pauta’ de terça-feira (12), uma pequena polêmica suscitou mais manchetes on-line sobre a estética do jornalista. Uma telespectadora postou uma crítica no Twitter ao vê-lo mais uma vez descabelado. “Com todo respeito, mas o @gugachacra já passou da fase e idade de ficar com esse cabelo de boneca de pano. Está um horror, até pra ser “diferentinho“ tem limites, parece um maluco”, escreveu. A intenção do comentário é compreensível, mas o argumento foi perdido com o uso de comparação inadequada e ofensa. Para surpresa geral, Guga se deu ao trabalho de responder. “Oi, uso o cabelo como eu quiser. Não tenho ideia de como vc usa o cabelo, se veste... Mas acho que as pessoas devam ter liberdade para usar o cabelo da forma que quiserem. Com a pandemia, não tenho ido ao barbeiro. E já expliquei mil vezes que nado e o cloro danifica meu cabelo.” O correspondente está certo ao defender o direito de se apresentar como bem entender, mas parece desconsiderar que é uma figura pública e representa uma emissora de TV. O problema surge quando ele ‘rouba’ o foco do noticiário. Jornalista não é artista. Nenhum jornalista deve, voluntariamente ou não, chamar para si o holofote direcionado à informação. Os fios indomáveis e o eventual bronzeado ‘a la Trump’ de Chacra em nada afetam sua credibilidade, porém, produzem exposição desnecessária. Melhor quando ele se projeta exclusivamente por suas análises e a conexão com a notícia, a exemplo do que ocorreu na cobertura das explosões no porto de Beirute, no Líbano, em agosto de 2020. Especialista em Oriente Médio e ex-morador da cidade, Guga Chacra fez exímia tradução do impacto econômico, político e social da tragédia. Destacou-se da melhor maneira. Isso se espera de um bom jornalista: conteúdo relevante, não discussões sobre corte e penteado.

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