Frio e produção rural: entenda como o inverno influencia as lavouras de Jundiaí
Publicada em 21/06/2026 às 09:10
Quem passa pela zona rural de Jundiaí numa manhã fria de inverno pode imaginar lavouras sofrendo com a queda da temperatura. Mas a realidade no campo é quase o contrário: para boa parte das frutas e hortaliças produzidas aqui, é justamente agora que elas vivem seu melhor momento.
E se o frio não é o problema, qual é? A resposta, segundo quem trabalha na terra, está em outro fenômeno: as chuvas e os ventos fortes. São eles, e não as temperaturas baixas, que encharcam o solo, derrubam flores e frutos e abrem caminho para fungos e doenças. O frio dentro da faixa normal para a estação costuma ser bem-vindo.
Produção do “Pé na Horta” no bairro Rio Acima
Jundiaí é referência na produção de uva, caqui e pêssego, frutas conhecidas justamente como “de clima temperado” porque dependem do frio para se desenvolver bem. Neste inverno, as temperaturas na região têm ficado dentro do esperado para a época, sem frio extremo o suficiente para preocupar.
“Existe essa ideia de que o frio sempre prejudica a lavoura, mas não é bem assim. Para a uva, o caqui e o pêssego, as temperaturas mais baixas ajudam a controlar pragas e doenças e colocam as plantas em um período de dormência, essencial para que elas voltem a crescer com força na primavera”, explica Sérgio Pompermaier, diretor de Agronegócio da Secretaria de Agronegócio, Abastecimento e Turismo de Jundiaí.
O cuidado redobrado, segundo o agrônomo, só entra em cena quando os termômetros se aproximam de 0°C a 5°C, faixa que pode trazer geada. Já frutas mais sensíveis ao frio, como goiaba, maracujá e pitaya, pedem atenção constante nos dias mais gelados e que de fato exigem cuidado extra no inverno.
Nas hortaliças, a história se repete. No bairro Rio Acima, o produtor Carlos Alberto Diniz, do “Pé na Horta”, conta que o inverno é um dos períodos mais favoráveis para folhosas como alface e escarola.
Carlos Alberto Diniz – produtor de hortaliças – Pé na Horta
Inverno favorece a produção de hortaliças
“A verdura gosta do frio. Nesta época temos uma produção melhor, com menos perdas e plantas maiores, e o custo de produção também cai em comparação ao verão. O único cuidado maior é com a geada, que pode trazer alguns prejuízos. Mas, com o clima como está agora, as condições para as hortaliças estão excelentes”, afirma.
Se a produção vai bem, o bolso do produtor nem sempre acompanha. Com mais oferta no mercado e menor procura, afinal, no frio o consumo de algumas hortaliças cai, os preços tendem a recuar justamente na época em que as lavouras estão mais bonitas e produtivas. É o tipo de desafio que só quem está na terra todos os dias sabe enfrentar com a experiência acumulada de safra em safra.
Esse equilíbrio entre tirar o melhor proveito do clima e lidar com as oscilações do mercado também é fruto de um acompanhamento técnico que vai do início ao fim da produção, da análise do solo até a certificação final do produto. O Departamento de Agronegócio oferece programas como o Cultivo Protegido e a Subvenção do Seguro Agrícola, além de iniciativas de preservação ambiental como o Nascentes de Jundiaí e o Pagamento por Serviços Ambientais, que incluem ações de conservação da vegetação nativa, recuperação do solo e adequação do esgotamento sanitário rural. Quem quiser conhecer todos os serviços pode acessar o site, visitar o Departamento no Paço Municipal, 5º andar, Ala Norte, das 9h às 17h, ou ligar para (11) 4589-8581, 8872 ou 8692.
No fim das contas, o inverno não é vilão. Para boa parte das frutas e hortaliças de Jundiaí, ele é parceiro de uma safra mais saudável, e é o produtor rural, com esse apoio técnico ao seu lado, quem transforma essa vantagem em qualidade na mesa de quem consome.
Assessoria de Imprensa
Fotos: Fotógrafos PMJ
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